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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Espantalho que não assusta

As minhas mãos são secas
Cheias de expectativas pretas
A minha alma quer vomitar
A minha vida quer acabar
O meu oásis é um deserto
E os abutres pairam perto
Vêm alimentar-se da minha alma
Dos restos da minha calma

domingo, 22 de janeiro de 2012

Perdido e achado

Conhecida amada
estranha desejada
quero-te assim
fêmea

Baixa e catita
alta, infinita
ruiva flamejante
ou morena deslumbrante

Negros cabelos
loiros
novelos
dourados tesoiros

Pedras castanhas
de alegrias tamanhas
e azuis
as que possuis

Ponto da situação

Mais podia ter vivido
Não fosse eu inibido
Ter sido rima perfeita
Uma frondosa colheita

Até agora sozinho
Esta ave não tem ninho
Do sistema sempre fora
Morosa sempre na hora

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O mundo

O mundo é silêncio
É desgraças em rol
Flores à chuva
E esqueletos ao sol

O mundo é o Homem sozinho
É de rebeldes amestrados
De espantalhos secos
E ideais em becos

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Desânimo

Não é fácil ver sinceridade
Minada de falta de espontaneidade
Caminhar ao limiar do sonho
Sem abstracção do medonho

Sufoco

Por vezes olho em volta com olhos de exagero
Com o coração oprimido de desespero
Tão alienado que sinto o bafo do pânico
Perto, desconfortante e titânico

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sorumbático

Tenho sido o cangalheiro
Tenho sido o coveiro
Tenho sido o eremita do desperdício
Tenho sido o arauto do sacrifício

Tenho sido a sombra de um corvo
Tenho para mim sido um estorvo
Tenho este dilema
E devo este poema

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ciúme

Não escrevas a negro a história cor-de-rosa
A ira morre sozinha e raivosa
Não cortes as asas à andorinha dedicada
Ou não virá anunciar-te a Primavera delicada

Não arranques do campo a flor
Para a largares murcha na lama
Não cales a voz ao teu amor
Ou não poderá dizer que te ama

domingo, 4 de setembro de 2011

Furtivo

Os lábios não afastar
Do calor de um beijo tumular
Para quando a morte chegar e passar
Ninguém ver e levar

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Dia de Poema

Hoje é um dia de poema
Dia claro e silencioso
Em que temos sempre um peso no coração
Mas em que o céu parece ao alcance de um braço

E penso no que me estará reservado
No que para mim tenho desejado
Lembro o passado
E o, aqui, ter chegado

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amizade

Que é de quem estende os braços e nada alcança?
Quem de solidão o varou uma lança?
Haja sempre quem acenda a lembrança
Dos que a escuridão aparta da bonança

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Quarto

Tantas horas me habituei, sozinho, a estar
Tanto tempo ficaram os meus olhos no chão
Sem ter por quem os apanhar
Muito assisti à cegueira das paredes
E se entornaram no tecto os meus olhos
Quantas vezes adormeci acabado
E quantas vezes esperançado

sábado, 18 de junho de 2011

Inquietação

I

Vou correr pela selva
e nadar pelos limos
uivar aos destinos
e deitar-me na relva

II

Oh, minha amiga
desperta-me agora
desta hora
que me castiga

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Rosa Branca

Costumava passear e colher algo dos arbustos
Normalmente uma rosa branca
Primeiro, o tempo, passou-a
Um dia, voltou atrás, e reclamou-a

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Pântano

Às vezes sinto-me indefeso
Outras, o amor vence tudo
De raiva
Também fico aceso

Qual crocodilo
Poroso
Do Nilo
E lodoso

Eu rastejo e eu voo
Eu ignoro e eu doo

quinta-feira, 24 de março de 2011

Uniforme espontâneo

Não pertenço a nenhuma força armada
Apenas à minha terra amada
Sou Português de coração
E não por obrigação
O meu golpe é civil
Arrebata por mil
Numa luta sou imortal
No escudar ultraje a Portugal

quinta-feira, 10 de março de 2011

Sorri-me um lago

Tens uma tristeza que não é tristeza
É o teu dote de beleza
Tens um olhar terno
Que vê além do eterno

Ando perdido por algo duradouro
E vejo a tua ária serena
Os teus olhos brilham d'ouro
E a tua face de candura plena

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Trinta

Não tenho forma
Sou dispersão sem norma
Há o mundo e há o meu
Mundo e eu

Ave canora
Traz no bico uma amora
Que aqui quem mora
Está numa longa demora

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