quarta-feira, 8 de julho de 2009

Crime

O crime em geral ― a desconsideração total pelo próximo ― é um assunto que me toca bastante pessoalmente. Digo isto após cruzar a minha apreciação do fenómeno com a minha introspecção. Muitas vezes me apetece fazer coisas que prefiro não descrever, e não é por isso que descarrego ao ensejo do capricho. Este assunto aflige-me porque tenho uma perspectiva talvez surreal do que pode ser o crime.

Existe certamente um sub-mundo marginal em pleno funcionamento todos os dias onde indivíduos de espírito meliante fazem praticamente tudo o que querem, controlam e vigiam quem querem e acham que podem fazer tudo sem punição nem arrependimento. E então, eu creio que o crime só não domina completamente a sociedade porque cada meliante tem a sua própria causa para transgredir. Se colocarmos um cenário onde haja uma convergência entre diferentes tipos de vontades criminosas numa só causa, que não seja somente assaltos a bancos ou contrabandos, por exemplo, mas sim o objectivo de perverter as normas da sociedade, imperará um dia a lei do sem carácter. É uma hipótese remota porque na escolha pelo crime certamente tem grande peso um ego desregulado, partindo de uma estrutura mental grandemente egoísta. Daí que uma associação ou organização a essa escala possa ser pouco provável. Não obstante a probabilidade, este tipo de mal só tem que ser extirpado da sociedade. Soluções, precisam-se.

Este é um completo sentimento de impotência porque naturalmente a grande maioria da população não quer problemas com nada nem com ninguém, ficando a sensação de que resta apenas rezar para nunca nos cruzarmos com tal tipo de gente. É caso para dizer que; eles andam aí.

sábado, 6 de junho de 2009

A cor de Portugal

Por vezes pode surgir a ideia de mudar a bandeira de Portugal. Muitos não se importavam de voltar à bandeira azul-e-branca da monarquia constitucional, o que é uma hipótese bastante redutora. A haver nova bandeira deverá ser uma inédita, e não uma restauração. A favor da verde-e-vermelha, no meu ver, joga o facto de ser a nossa bandeira desde 1911 e de ter atravessado connosco momentos bastante difíceis do século XX como por exemplo a Primeira Guerra Mundial e a Guerra do Ultramar. Por isso não desejo que seja para breve uma mudança da actual bandeira, mas se Portugal existir durante mais 900 anos, eventualmente surgirão razões para mudar a bandeira durante esse período de tempo.

A propósito deste assunto gostaria de fazer uma espécie de inquérito a quem passar por este blogue e indagar acerca da cor favorita de cada um, e consequentemente a cor que mais gostariam de ver na Bandeira Nacional. Uma pessoa pode preferir uma cor mas não a preferir para uma bandeira, no entanto, e sendo uma bandeira muito mais do que simples preferência cromática, a preferência por esta ou aquela cor estará ligada ao sentimento de cada um. Peço então a quem quiser partilhar a sua cor favorita que, por favor, a escreva na secção dos comentários. Eu digo que qualquer bandeira de Portugal terá sempre de ter a cor verde. O verde é uma cor forte, com presença, não tão agressiva como o vermelho nem tão branda como o azul, na minha opinião. Dito isto, espero que apreciem esta pequena proposta e participem.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Tourada

Bom, tourada é crime. É um crime de facto que não é de jure (ainda). Maus tratos a animais é crime. Não é preciso ser-se jurista, filósofo ou de outras especialidades de grande entendimento para reconhecer e aceitar isso. Mas é preciso um pouco de sensibilidade, eventualmente algum espírito de sacrifício e auto-sinceridade (isto, não só em relação a touradas mas em relação aos animais em geral).

Um dos argumentos que por vezes se ouvem contra os abolicionistas de touradas é que estes deviam também preocupar-se com outros animais que não aparecem na televisão. Argumento vazio e sem objectivo claro. É claro que qualquer activista de direitos dos animais se preocupa com um vasto leque de casos de abuso e selvageria em animais. Mas pelo menos duas razões para não dar tréguas à tourada me ocorrem. A tourada é um caso de gravidade exemplar na medida em que, ao contrário de lutas de cães e de galos (outros exemplos de diversão saloia) que ocorrem na clandestinidade, a tourada existe com a complacência de autoridades estatais. E depois, mesmo que haja alguém a defender a causa pelo politicamente correcto, tal eventualidade não é mais grave do que dessangrar um animal e dizer que aquilo não é o que é. Finalizando, e mesmo porque não há muito a dizer sobre tal assunto, é mais que óbvio que a tourada tem os dias contados. Um dia escreverei neste blogue uma mensagem de júbilo pelo fim de uma vergonha descarada.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Brasil/Portugal

À parte do acordo ortográfico, ouço falar muitas vezes que a língua portuguesa deve unificar-se o mais possível. Pois bem, não posso estar mais de acordo. Agora, o que eu vejo é que Portugal sem muito esforço, e mesmo talvez inconscientemente, faz e sempre fez a sua parte na ambientação dos portugueses ao Brasil com novelas e música brasileira. No Brasil o impensável acontece. Programas, filmes e séries portugueses são dobrados ou legendados. Parece ser uma grande dificuldade de compreensão que talvez possa ser resolvida com uma pequena dose de boa vontade. Esse talvez seja um bom ponto em que o governo brasileiro possa pegar para promover uma mais estreita aproximação cultural do Brasil a Portugal.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Galécia

Foi na Internet que tomei conhecimento de certas correntes de pensamento que idealizam uma Galécia à semelhança da de antigamente. Portugal é pequeno, mas sempre pensei que fosse unido. Foi com grande tristeza que constatei que para alguns as coisas não são bem assim. Até concordo com uma regionalização do país, mas penso que a Região Norte deve compreender que não é mais nem menos que qualquer outra região de Portugal. Escreve alguém do Centro de Portugal que não nasceu nem nunca viveu em Lisboa (o bicho papão de alguns do Norte). Lamento se as minhas palavras atingem a grande maioria nortenha que não tem sequer conhecimento de tais ideias, mas infelizmente "basta uma gota de veneno para comprometer um balde inteiro" (excerto de uma frase de Mahatma Gandhi). Admiro-me como é que alguém, em nome não sei bem de quê, pode querer dissociar-se de algo grandioso que ajudou a construir e querer resgatar ou celebrar quase do nada uma espécie de história alternativa. Abomino o conceito de Galécia sobre o de Portugal tal como o conhecemos. Realmente há gente para tudo...

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