domingo, 28 de março de 2010

Anatomia de um Amor

Longos e finos dedos são os teus
Enleiam-se, tenros, nos meus
Nas mais frescas carícias
E singelas delícias.

Cruzam-se os nossos olhos castanhos
A caminho dos lábios um do outro
Até que, em ternura,
Adoptamos o silêncio.

sábado, 27 de março de 2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

No meio de nada

Sentado no meu íntimo
Olho para as flores dos meus dias
E vejo cair as pétalas do tempo

Sob as nuvens da memória
Desço, imparável, o rio do destino
Desejando um cais nas suas margens

Rosa

Deita-te ao meu lado, amada
Até esta vida estar acabada
Diz-me que gostas de mim
Vamos sonhar que não temos fim

Fiquemos, abraçados, a ouvir música
Em pura sintonia lúdica
Vamos pensar no céu azul
E no amor arco-íris

domingo, 21 de março de 2010

Quem é o Poeta?

O Poeta é aquele que colhe poemas no jardim das palavras
Pode ser um mendigo esfarrapado
Num ilustre fato de poesia
Escrever lágrimas secas
E sonhar com maresia
Ou pode ser o apaixonado
De sorrisos colorado
Em versos de alegria
E toques de magia
Seja ele quem for
É aquele que fala sozinho a linguagem universal do sentimento

sexta-feira, 19 de março de 2010

Modelo Lírico

Aceitas posar para um poema
como quem posa para uma pintura?

É olhar-te deitada
em pose sentada
Vestida elegante
nua e fascinante

Olhar-te em silêncio de admiração
e escolher as palavras
de uma poética composição

Aceitas por um dia
ser, viva, a poesia?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Lisboa

De Portugal a capital
Da Europa a mais ocidental

Amena face continental
De salinos lábios oceânicos
Beija-me com a tua História
Conta-me as aventuras de ti

Treva

A morte é a nossa sombra invisível
O nosso destino infalível
Véu negro da consciência
Ignorante da inocência

Estupro de ânimo

Espírito profanado
Pensamento maculado
Pudesse algo ou alguém
Beijar as feridas desse coração

O Deus entre muitos
O tempo que dizem tudo curar

Sagrada é a mortalidade
Mesmo se foge a humanidade
Daquele que está em guerra
E como humano erra

E pelo funesto delito carnal
Um eterno luto sideral

terça-feira, 16 de março de 2010

Goa

Foi infeliz a invasão a Goa (pela União Indiana) em Dezembro de 1961.
Entendo perfeitamente o conceito de território ultramarino, e uma invasão daquelas equivaleu praticamente a invadir qualquer outra região do Portugal Continental.
Houve algumas condenações internacionais à acção indiana, mas quando não há respeito, nada feito.
Aceito que as ideias político-geográficas mudem, mas não é digno atropelar a soberania de um país e ignorar a história de uma terra.

Não me parece que fosse de todo descabido ter-se feito em Goa o que em 1999 se fez em Macau com a China, uma transferência de soberania e um período em regime governamental especial, mas certamente que Salazar nunca considerou esse fim, ou não era possível por alguma razão.

Outro cenário que podia também ter-se desenhado seria aquele que mais de uma década depois aconteceu em Timor-Leste (invadido em 1975 pela Indonésia), o qual, consciente das suas diferenças em relação à Indonésia apontou para uma independência que por fim atingiu em 2002.
Uma decisão dessas teria de ser a maioria do povo de Goa a tomá-la, mas a História assim não seguiu.

Debrucei-me sobre este assunto porque Goa sempre foi um dos mais característicos territórios portugueses na Ásia, e hoje podia ser mais um distinto e legítimo país independente membro da CPLP ou um território sub-nacional de língua oficial portuguesa (como Macau).

Goa, actualmente, é o mais pequeno e o mais próspero estado da Índia.

Pode ver-se neste sítio uma colecção de propostas (aprovadas em 1967 sem nunca terem entrado em uso) de bandeiras para os principais territórios portugueses ultramarinos do século XX.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Da Adolescência

Espelho

Alto e magro, uma figura distante
Olhos e cabelo escuros e pensamento incessante
Amante da Natureza e da liberdade
Infindável procura da felicidade

Lembranças de longínquas memórias
Dezassete anos no corpo e duas longas histórias
Uma mente cansada mas sã
Fruto preferido, uma maçã

Cândida

no meu pensamento desfilava
nos meus sonhos brilhava
do meu rosto a dor apagou
dos meus olhos as lágrimas secou

Do chão ao pedestal

o seu encanto não cabe em palavras
se a natureza tivesse voz
espalharia no vento a sua graça
e desenharia nos oceanos o seu rosto

Rodeada de Primavera

que divinal silhueta eu vi
sob o ameno sol primaveril
a solidão que eu senti
no auge do mês de Abril

Loirinha

gostaria de ficar
no amarelo a repousar
ficaria até a idade me esquecer
até nas feições me perder


Escrito (com algumas alterações) nos idos anos 90 do século XX.

domingo, 14 de março de 2010

Entardecer

És como era ser
nada esperar
e com o ocaso brincar

Besouros dourados sobre a erva alta
Quadro de infância
na minha memória pendurado

Dançava a noite com o dia
O tempo não era tempo
era apenas tempo

Comentar neste blogue

Qualquer internauta é bem-vindo a comentar. Comentários que não tenham nada a ver com o assunto em pauta, insultos gratuitos, etc... serão removidos. Obrigado por comentar!